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"Não sei mais o que fazer com as crianças!"

Atualizado: Jun 18

Temos recebido mensagens de algumas mães sobre a angústia de não saber o que fazer para entreter as crianças tanto tempo dentro de casa.


Ao mesmo tempo, temos acompanhado inúmeras reportagens e postagens sobre o stress do “homeschooling” e das inúmeras atividades que as escolas têm enviado para as crianças.


Isso sem contar o desgaste dos próprios professores em preparar e ministrar estas aulas, sendo que muitos também tem seus filhos em casa agora em tempo integral.


Nada substitui a presença de um professor em sala de aula, olho no olho, conhecendo seus alunos e tendo toda didática para ensinar e orientar.


Esta seria uma grande oportunidade para finalmente repensarmos nosso sistema de ensino. A escola como se apresenta hoje em sua grande maioria, não mais atende satisfatoriamente ao público a que se destina. As pessoas mudaram, o mundo mudou, a forma como as crianças se relacionam e interagem com o mundo mudou, mas a escola tradicional continua tratando-as como seres passivos que devem ficar estáticos por tres, quatro horas ou mais, simplesmente “recebendo” o conhecimento.


Aulas on-line, por mais que possam parecer inovadoras com o uso da tecnologia, sendo totalmente expositivas, apenas transferiram o ambiente da sala de aula para dentro de casa. Ainda com o agravante de inúmeros exercícios e atividades sem a presença dos professores para auxiliá-los. O resultado tem sido crianças e pais estressados em uma época em que o stress já é presente por razões obvias.


Nada contra enviar algumas atividades, promover pequenos encontros on-line com professores e colegas, estar disponível para esclarecimento de dúvidas. Mas é necessário tornar este momento mais ameno e reformular conteúdos e objetivos.


Deixarmos as crianças sem tantas cobranças nesta época, permitindo que interajam com esse tempo único junto aos pais, não apenas contribui para um desenvolvimento saudável e estabilidade emocional como também proporciona a criação de memórias afetivas que lhes sustentarão por toda vida adulta.

Somos o resultado de nossas experiências sadias na infância. São elas as responsáveis inquestionáveis pela nossa auto-estima e capacidade de lidar com frustrações.


Fazer uma receita e explicar frações e proporcionalidade; misturar temperos, tentar unir água e óleo e explicar esses fenomenos de forma simples vai fazer grande diferença na compreensão teorica desses conteúdos. Observar o céu e falar das constelações e dos pontos cardeais ensina e aproxima famílias de momentos mágicos e inesquecíveis. Ajudar nas tarefas de casa cria senso de responsabilidade.


No caso de crianças pequenas, em fase pré-escolar, os pais tem uma oportunidade unica de conseguir transmitir ensinamentos simples e básicos que fazem significativa falta nos anos iniciais da escolarização: amarrar seus próprios calçados, comer sozinhos, fazer corretamente a higiene bucal, das mãos, pentear seus cabelos, etc.


Neste mundo tão apressado das últimas décadas, grande parte das vezes são os pais que guardam os brinquedos, preparam sozinhos o lanche da escola e inclusive guardam o material escolar nas mochilas. O resultado disso são crianças hiper dependentes que ao chegarem em sala de aula, sequer pegam seu material sem que o professor ordene.


Não raramente os professores ouvem: "não trouxe lápis porque minha mãe não guardou na minha mochila". E assim, com o passar dos anos, vão crescendo e não sendo capazes de providenciar sua alimentação, de tomar uma decisão ou fazer escolhas.


A autonomia é parte marcante na alfabetização e na aprendizagem. Vemos pais ansiosos para crianças pequenas aprenderem os números, as letras ou mesmo outro idioma, mas não se importando em lhes dar banho até seis ou sete anos, bem como fazer tudo por eles.


Amar e proteger não significa fazer tudo pelos filhos ou criá-los como seres incapazes. Amar é preparar para a vida. Proteger é ensinar a enfrentar dificuldades.


Temos, neste período de isolamento em casa, um presente do tempo para conviver com nossos filhos e dedicar a eles momentos de grandes ensinamentos. Ensinamentos estes que não cabem à escola, mas que serão uma base fundamental para o desenvolvimento global do ser e um grande alicerce para futuras aquisições.


Aproveite ao máximo esse tempo com as crianças: brincando, cantando, contando histórias, convivendo e partilhando coisas simples da vida cotidiana.

E não esqueça: ensine sua criança a amarrar os cadarços! Esse simples gesto vai lhe dar segurança para manter-se em pé e confiar nas próprias capacidades.

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