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Adaptação Escolar

Atualizado: Abr 7




Nesta fase de adaptação e principalmente de retorno gradativo ao convívio social estão envolvidos muitos sentimentos como insegurança, medo do abandono, curiosidade com o novo e muito mais. Não apenas para as crianças, como também para famílias e professores é um processo delicado e que exige de nós adultos, a serenidade e firmeza para conduzí-lo. As práticas educativas familiares estão diretamente ligadas a este processo de adaptação escolar.


Há muitos fatores que fazem dessa fase um momento mais tranquilo ou mais difícil: as relações e estrutura familiar, bem como o momento de vida pelo qual estão passando, a segurança que os pais sentem em relação à instituição escolhida e até mesmo o temperamento individual de cada criança.

No caminho a ser percorrido nesta adaptação, a criança precisa passar por três etapas: entender, processar e aceitar. Para que ela entenda essa possibilidade de ingressar em uma escola, retornar à escola ou mesmo trocar de escola, isso deve começar a fazer parte das conversas com antecedência, sem criar altas expectativas nem fazer isso em excesso, mas explicando o porquê, os benefícios que isso vai trazer, a interação com outras crianças, ter amiguinhos para brincar. Pode-se dizer que os adultos trabalham e tem compromissos que a criança ainda não tem e que é muito mais divertido e alegre poder brincar e aprender coisas novas com outras crianças.


Para processar essa novidade ela precisa de tempo: não basta falar e explicar uma vez e pronto! É muito importante que elas também ouçam os pais conversando sobre isso, de maneira leve e poupando-a de ouvir suas preocupações, reservando estas dúvidas ou aflições de adultos para momentos em que tenham certeza que a criança não está ouvindo. Ela também não tem noção de tempo, em dias de semana onde ela irá para a escola é bom avisar de maneira alegre e entusiasmada que é dia de escola. Da mesma forma em finais de semana, deixar claro que nesse dia a escola está fechada porque os familiares não vão trabalhar, porque as professoras que lá estão precisam também descansar e que no dia “tal” ela poderá voltar ao local e encontrar novamente seus amiguinhos.


E gradualmente dentro do tempo de cada uma, ela vai finalmente aceitar essa nova realidade. Isso serve para diversas atividades que exijam mudanças, sejam mudanças mais estruturais ou mesmo mudar de atividade em casa, hora do banho, de dormir, de voltar para casa, etc.

Explicar com antecedência para a criança entender; fazer combinações (verdadeiras e sem recompensas) para a criança assimilar e gerar confiança e bem-estar para ela aceitar.


Em geral, uma criança que tem suas necessidades de atenção supridas adequadamente pode apresentar mais facilidade em adaptar-se a situações novas. Mas isso não significa que os pais não dêem atenção, não amem seus filhos e não façam tudo por eles. As atribuições profissionais, as diferentes demandas familiares e sociais, fazem com que cada vez mais, um dia de 24 horas seja pequeno para tudo que necessitamos fazer.

Em outro texto podemos nos aprofundar mais nesta questão do tempo com os filhos: de que não necessitamos de muito, mas sim de algum tempo com qualidade, com total interação. Uma mãe ou pai que trabalha demais e consegue sentar por apenas 30 minutos no dia (sem olhar pra celulares, sem televisão ligada, sem estar conversando sobre outros assuntos com outras pessoas) mantendo o olho no olho, dando atenção incondicional e brincando com a criança, estará dando muito mais atenção do que quem passa o dia inteiro em casa e não dedica um pequeno tempo exclusivo para a criança. É o famoso “deixar o tanque cheio” em vez de abastecer com gotinhas compartilhadas com mil e uma tarefas. Uma criança com o tanque da atenção abastecido, se sentirá mais segura e isso irá refletir em outros ambientes e situações.


Por outro lado, é natural que a criança estranhe uma grande mudança na sua rotina, chore um pouco, apresente mudanças no comportamento podendo isso refletir inclusive na alimentação, no sono e em outras áreas. É importante que os pais estejam cientes que isso faz parte do processo e mantenham a tranquilidade. Com certeza, casos que extrapolem a normalidade os profissionais da instituição saberão informar e orientar. Os adultos responsáveis são espelhos para os pequenos e as crianças aprendem muito por imitação. Tudo aquilo que externalizamos, comentamos em casa com familiares ou mesmo com amigos, influenciam na aceitação da criança a uma nova realidade, pois quando estão brincando, assistindo televisão, mesmo em outro cômodo as crianças geralmente estão atentas ao que os adultos que são seus referenciais estão dizendo. Se digo próximo à criança que ela não fica longe de mim, que vai chorar se não me ver, etc., a chance de isto realmente acontecer é muito maior.

Obviamente, não se pode ir a um local diferente e deixar lá a criança numa primeira vez, virar as costas e sair. Exceto se for uma criança que já tenha visitado algumas vezes o local, tenha algum vínculo com alguém que lá está, ou estiver extremamente acostumada ao convívio com estranhos. É importante que esta adaptação seja feita de forma gradativa e com tranquilidade.


Se no primeiro dia você ficou junto o tempo inteiro, de uma segunda vez tente sair por alguns minutos, mas explicando à criança que vai fazer algo rápido e volta logo, que as pessoas que ali estão irão cuidá-la e jamais saia escondido ou minta para a criança. Vá aumentando gradativamente o tempo de sua ausência e também o tempo de permanência da criança na escola. Evite despedidas longas: uma vez tendo se despedido da criança, tente não retornar. Não prometa presentes, recompensas ou lanches especiais se ela ficar e não chorar. Ela precisa ficar bem porque vai estar feliz e não para lhe agradar ou ser recompensada.


Esse é um processo contínuo, que vai apresentar altos e baixos, idas e vindas, passando por descobertas, novidades, crescimento e amadurecimento. Desde os primeiros contatos da família com a escola: visitas, encontros, telefonemas, a impressão dos pais e seus comentários sobre a impressão que tiveram vão influenciar fortemente nessa adaptação. Se você fica em algum espaço da escola reservado aos pais enquanto a criança brinca e interage, explorando o novo espaço junto aos amiguinhos, evite ir dar uma “espiadinha” se ela não solicitar. Caso ela venha até você, acolha, abrace, demonstre segurança e passe a certeza de que vai estar ali se ela precisar. Muitas vezes a criança está super distraída, brincando, criando seus vínculos e ao ver o familiar lhe observando, corta aquele laço que estava aos poucos construindo. Ela precisa sentir que você confia que os adultos que estão com ela, são capazes de mantê-la segura.


Ter firmeza com doçura é essencial neste momento. E ser firme não é ser rude, mas sim, acreditar realmente no que você está dizendo e passar esta certeza em sua fala e suas ações. Portanto, certifique-se primeiro que você está confiante, pergunte, questione, tire todas as suas dúvidas e exponha seus medos à instituição que você visita e investiga para deixar seus filhos. Se possível, intercale as pessoas da família que acompanham a criança nos primeiros dias, para avaliar seus diferentes comportamentos dependendo de quem está com ela. Mas mantenham todos o mesmo diálogo e afinidade de condutas.

Neste período, permita que as profissionais tentem resolver pequenos conflitos, cuidem da higiene e da alimentação da criança sem a sua interferência, isso também vai ajudá-la a se sentir amparada por aquelas pessoas e acreditar em suas capacidades.


Mostre sua participação nesses eventos com um sorriso de aprovação, com expressão de consentimento e evite queixar-se de algo que lhe desagradou na presença dos pequenos. Assim como na maturação e na aprendizagem, o desenvolvimento de cada criança tem seu ritmo próprio, a adaptação ao ambiente escolar difere muito de criança para criança. Estar atento à todas as questões apontadas acima, começar a frequentar o espaço escolar escolhido em visitas curtas, deixá-la por um período menor nos primeiros dias e ir aumentando gradativamente a sua permanência na escola são sugestões que podem impactar positivamente este período.


Annalu Souza

Pedagoga, Gestora Educacional e Diretora da Casa Ânima


“A autonomia é um poder que só se conquista de dentro e que só se exerce no seio da cooperação.” – Jean Piaget

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